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domingo, 16 de maio de 2010

Coisas que acontecem nada vida da gente

Estou farta de tentar "criar vidas".
Fico assustada da forma como as coisas mudaram muito na minha vida ao longo do tempo.
Em pequena (entenda-se até aos 14 anos) era uma miúda tímida e aborrecida, vivendo sempre chateada e sem grandes amigos. Ridicularizada e menosprezada por muitos.
Daí até aos 17 anos foi uma loucura; conheci gente fantástica, vivi momentos que nunca mais esquecerei, diverti-me imenso e senti-me bem.
O tempo de faculdade...meu Deus! Foi incrível. Conheci o meu "Eu" independente, o meu "Eu" que por vezes era chato mas com o seu lado sábio (e eu que pensava que não tinha esse lado ;p). Tinha uma vida fantástica no Porto, com pessoas fantásticas, livre de convencionalismos exigidos sempre que regressava às origens. Tinha a "minha" vida, cheia de auto-confiança (que anteriormente pouco ou nada tinha) e grandes conquistas.
Agora cá estou eu com uma outra nova vida. Longe dos amigos que muita falta me fazem; sem grandes companhias para saídas e divertimento; regressou o "eu" solitário que me fez companhia noutros anos da minha vida e que já pensava não voltar. Estou a trabalhar, criei o meu lado maduro e sério; abri os olhos para as "imperfeições" e para os egoísmos das pessoas que durante muitos anos nunca quis acreditar que existisse, ou então que existia em poucas pessoas... talvez por ter tido a sorte de conhecer e conviver com boas pessoas (pelo menos pareceram-me...:)lol). Tinha sonhos e ambições que me faziam vibrar de cada vez que pensava neles, e agora parecem estar a escapar por entre os dedos das minhas mãos... muito em parte por tolice minha.
Fico em desespero de cada vez que penso na possibilidade de não conseguir aquilo que me poderá fazer feliz profissionalmente.
Já pareço uma velha a meditar nas amarguras da vida.
A vida dá voltas e voltas, e cambalhotas. É malandreca. ;p
O que será que me espera depois disto... medo... 0.0

Mudando de assunto, esta última semana decidi arriscar e joguei no Euromilhões.
Já que não tenho sorte nos amores nem no trabalho, talvez tenha sorte no jogo. Pensei eu. Mas parece que nem isso... ainda estou para descobrir onde está a minha sorte e para que serve.
O meu pai chega a casa com o registo do meu Euromilhões (que tinha deixado à uns dias no café) e...
Eu: Então ganhei alguma coisa? (era sábado, já tinha saído os resultados)
Pai: Não. Não acertaste em número nenhum.
Eu: Não tenho mesmo sorte em nada! C'um caralh*...(Pensei)
Pai: Tu não sabes jogar.
Eu: Não sei jogar? Mas não tem nada de saber. É tudo uma questão de sorte.
Pai: Então vais meter estes números? Tem algum jeito?
Eu: Então... ia por o quê?
Pai: Os números tão distantes uns dos outros e sem lógica!...
Eu: Lógica?... Mas... é tudo sorte, poderia saír esses números como quaisquer outros.
Pai: Oh... és uma trenga.
E virou-me as costas sem eu ter conseguido entender muito bem a conversa dele...

Gente deste meu país, escutai-me! (ou melhor, leiam isto!)

Se alguém souber como funciona a parte lógica do jogo do Euromilhões, que me explique! Quero acreditar que perdi o Euromilhões por estupidez e não por falta de sorte (quero acreditar que tenho alguma sorte como toda gente...nem que seja só um "naco" pequenininho).
Até lá, continuem com uma rica vida e uma semana cheia de coisinhas boas.

Bjss, e boa semana...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tédio



Sinto-me totalmente num estado de tédio... Não me apetece fazer quase nada mas queria algo emocionante para fazer; o quê? Não sei... Para além disso, não tenho sorte nenhuma, quando surge uma oportunidade de algo, estou toda "descabelada e molhada".
Enquanto vou tentado descobrir o que é que quero, vou trabalhar como sempre.
Boa semana para todos os meninos e meninas que por aqui passam...
Bjss

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ouvi dizer...

De certeza que já ouviram alguém dizer isto, ou até mesmo vocês o disseram sem se aperceberem (eu acho que já disse isto):

"Queres a metade maior ou a mais pequena?"

Mas que raio de pergunta. Se são metades são dois bocados iguais, não? Se um é mais pequeno que outro já deixam de ser metades, certo?

- Parte isso a meio para nós os dois comermos.
- Queres o maior ou o mais pequeno?

E é isto... o resultado de uma profunda análise de 1 minuto antes de adormecer ,depois de ouvir dizerem na televisão algo deste género.
É preciso voltar à primária para aprender um pouco mais da matemática básica. Vamos ver quem sabe mais que um puto ou miúda de 10 anos. (Pelo menos já teríamos o Magalhães para nos ajudar ;p)


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Neblina

O galo cantava com toda a sua força fazendo ecoar o seu despertar por toda a aldeia. Contrariando toda a vontade do meu corpo, que se deliciava de preguiça, levantava-me respirando fundo e aceitando que seria mais um dia de lutar, vivendo os momentos difíceis que superam toda a alegria que o ser humano consegue num simples dia.
- António, vamos lá! Já são horas de sair da cama...
Não tomávamos o pequeno almoço, nunca tínhamos tempo ou mesmo o que comer. Ignorávamos a fome e saíamos de casa para trabalhar no campo e alimentar o gado. O silêncio ensurdecedor acompanhado pelo branco da neblina que envolvia o céu, os campos e nós os dois; refrescando o nosso rosto e acordando-nos para o início de um novo dia. Aqueles minutos de caminhada entre a porta da nossa casa e o campo, sempre sem dizermos uma palavra por causa da sonolência que ainda carregávamos; este momento era a aproximação que conseguia entre o Céu e a Terra, cheia de tranquilidade e aceitação.
- Tens a enxada?
- Tenho...
- Começa então por esse lado do campo que eu vou começar pela outra ponta. Mas a despachar porque temos muito que fazer hoje!
Falavas cheio de ódio e de rancor comigo, fazendo-me pensar que era culpada do teu trabalho e da tua tristeza, quando o único problema era simplesmente a vida. Mas tinhas que te libertar desse ódio e fazias através de mim, pelas palavras que me dizias e pela força que usavas em mim. Não aceitava aquilo porque sabia que não era certo mas aguentava porque não tinha força nem ódio suficiente para descarregar em ti.
Fui vivendo cada dia, aguentando cada nova dor que aparecia e cuidando das antigas dores; dores de corpo e de alma.
- Olá Alice! Olha, a minha mãe mandou entregar-te isto... é pouca coisa mas é o pouco que ela pode arranjar...
A Teresa sempre se lembrando de mim e dos meus filhos; sabendo da fome que passávamos, apesar do muito que trabalhávamos, mandava comida pela filha Ana que consolava o estômago dos meus filhos e saciava a minha consciência por saber que pelo menos eles comeriam uma boa refeição... mesmo eu passando fome. No entanto a Rosa e o Manuel não escapavam.... sempre que acabava a escola, o destino deles era o campo, junto de nós; não a brincar ou a estudar, mas a trabalhar com o sol infernal ou a incansável chuva. O quanto lamentava terem nascido naquela altura, naquela situação, naquele berço; lamentava tê-los trazido para este mundo, mas eles eram a desculpa para eu ter vivido... ou sobrevivido.

Maldito esqueleto que me sustenta hoje! Limitas-me em tudo o que queira fazer, apesar de nem eu mesma saber quero fazer hoje. Acabei sozinha, sem mesmo aceitar-me como companhia. Acabas-te por morrer antes de mim Antonio, e isso nunca te perdoarei! Merecia a paz primeiro que tu! Resisti mais que tu para a merecer. Deixaste-me com os nossos filhos... aqueles dois jovens que fizemos enfrentar a vida desde cedo sem mesmo lhes perguntarmos se queriam isso.
- Quem está ai?... Quem é?
- Sou eu mãe, a Rosa.
- Ah és tu.
- Sim, sou eu. Parece que não gostou que fosse eu. Tem agluma coisas contra mim, é? Se tiver pode dizer e esclarecemos já as coisas. É sempre a mesma merda!...
- Não, não tenho nada contra ti...
- E a casa ainda está assim desarrumada? E a roupa por apanhar e guardar? Que fez você toda a tarde? Eu tenho sempre que a aturar e manter! Você já está uma velha caduca, já não serve para nada, e eu que a aguente! E mesmo assim ainda deu os melhores terrenos de herança para o Manuel! Qual é a sua ideia?
- Mas...
- Está calada sua velha!
O Ser Vivo que viveu nove meses no meu ventre, aquele Ser Vivo pelo qual sofri para conseguir trazer ao mundo, aquele Ser Vivo que tanto fiz durante a minha vida para que pudessem saber o que é viver e sobreviver, e não apenas sobreviver como eu... Aquele Ser Vivo, que não é digno de ser chamado de "Ser Humano"... relembrou a dor do corpo que sentia quando o António me batia. Bateu, libertou também o ódio que tinha pela vida em mim, tal como o seu pai. E eu aceitei mais uma vez como tantas outras, mas sentindo ainda mais dor no corpo, pela fragilidade dos meus ossos, e uma dor ainda maior na alma. Novas dores que superam as antigas deixadas pelo pai... Mas aceito porque ainda não tenho ódio suficiente pela vida e nenhuma força no corpo e na alma, muito menos para lutar contra a minha própria filha...


Quero a paz da neblina...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Isto de estudar também é difícil...

Recebi um email com esta imagem que ilustra perfeitamente aquilo que muitos de nós já devem ter constatado (espero eu...), não fosse as frequentes polémicas de agressões de pais a professores e de alunos a professores. As coisas mudam com o tempo... é pena que algumas não sejam para melhor...


Eu ainda pertenci ao exemplo do ano de 1969... se tivesse sido necessário a minha mãe era bem capaz me dar, de muito bom grado, dois estalos na cara à frente da professora se não tirasse notas de jeito. Ainda me lembro da humilhação que a minha mãe me fez passar quando me levou a casa da minha professora da primária (que é minha vizinha) quando tirei um "Satisfaz Pouco" a Português no 5º ano, só mesmo para me envergonhar...e conseguiu. :s Com medo de ter outra vergonha evitava ao máximo tirar más notas... (mas também não fazia por tirar Excelentes, dava muito trabalho. lol);p

sábado, 22 de agosto de 2009

E é isto que se pensa...

Há perguntas que dá muito que pensar nas suas respostas e outras para a qual ligamos o "Sistema Automático", como por exemplo: "Então, como tens passado/como estás?" ou ainda, "O que tens feito?". No que respeita ao meu Sistema automático, este está programado para responder: "Está tudo bem." ou, "Vai-se andando." ou, "Ando como sempre.", ou "Tem andado tudo bem, como se pode..." ou, "Não tenho feito nada de especial, tudo como sempre." E, automaticamente, depois da minha resposta também sai sempre "E tu?Como tens passado?".
Há vezes dava vontade de responder: "Sabes como a vida é do caralh*, então há dias em que se vive como se não tivesse vida, e outras em que tudo corre mal como o catano. Mas nem te pergunto como tens passado porque de certeza a tua vida não deve variar muita da minha, não é?"

Somos "socialmente programados"...