terça-feira, 21 de setembro de 2010

Coisas que fazem parte da vida

Qual de nós em pequeno, num dos breves momentos entre brincadeiras e traquinices não parou por breves segundos para pensar o que vai na mente dos adultos. "Com será que eles pensam? São assim tão diferentes de nós (crianças)? E que conversas mais chatas que eles têm. Será que um dia vou ser tão chata como eles?"
O tempo passa, as tecnologias evoluem, novas modas se criam, o nosso corpo inevitavelmente muda assim como a nossa personalidade, que se vai moldando.

Assisti recentemente a um documentário na RTP2 sobre o Envelhecimento, em que tentavam descobrir vários factores que aumentassem a nossa longevidade. A população que estudaram (tinham perto dos 100 anos de idade ou mais), não apresentavam estilos de vida excepcionalmente saudáveis. Não eram grandes desportistas nem grandes adeptos da comida vegetariana. 80% da longevidade dessas pessoas deviam-se a factores genéticos, e apenas 20% a factores ambientais (ao contrário do que poderíamos pensar), o que deita um pouco por terra as campanhas para "estilos de vida saudáveis para viver mais tempo". Não quero com isto desaconselhar a praticarem hábitos saudáveis, pelo contrário; não vá aqueles investigadores americanos estarem enganados, mais vale jogar pelo seguro e zelarem pela vossa saúde.
A dado momento, debruçaram-se sobre a influência da mente sobre o corpo. Colocaram um grupo de idosos durante uma semana a realizarem as tarefas sem auxilio de outrem; onde se inclui, cozinha, arrumar, ir às compras, entre outras coisas. Resultado, o grupo em estudo aumentou, se não estou em erro, certa de 40% das suas capacidades cognitivas. Acreditando que eram capazes e esquecendo um pouco que tinham um corpo velho, acabaram por se tornar mais autónomos, ganharam mais mobilidade para além de ganharem outro ânimo para o dia-a-dia.
Vulgarmente dizemos sempre "basta querer para conseguirmos", que acabamos mesmo por acreditar que é apenas mais uma frase popular sem qualquer sentido, mas aquele grupo de idosos provou que existe alguma verdade.
Sou uma pessoa adulta e, pessoalmente, não estou desiludida nem contente por ser adulta, porque não tinha nenhuma expectativa de como seria quando chegasse onde estou agora; ao contrário de muitas crianças e jovens que andam sempre desejosos por chegar aos 18 anos, por acharem que nessa altura tudo muda, que serão olhados de forma diferente. Nada muda de um dia para o outro. A verdade é que não somos nada de especial (nós adultos), as crianças é que o sabem; somos uma seca, vivemos vidas de seca. As nossas conversas são uma seca a maior parte das vezes (só sobre trabalho, sobre a vida dos outros, problemas, dinheiro) e uma ou outra vez animada por assuntos de ordinarice e pouco mais. Até que ponto estou, ou estaremos nós, a perder ou não o nosso precioso tempo em coisas que nada importam e que chegam sempre ao fim; nós também um dia chegamos ao fim...

"Viver é fácil, difícil é saber viver..."


Estarei eu a perder alguma coisa?...

2 comentários:

Anónimo disse...

Tendo em conta que eu sou um desastre ambulante que passa a vida a magoar-se das mais variadas maneiras, não espero ter uma vida muito longínqua! :p

"De uma Loira" disse...

Loira, mesmo assim desejo-te uma vida muito longínqua.;p
Bjss